terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The same old same song. Oh is it?

Me sinto produtivo. Seja por ir a autoescola, academia, trabalhar em apenas um dia...seja pelo que seja, assim sinto. E se sinto, existo, sou.
Mas como ser externado, seja em papel, palavras ou atos, como ser tudo e todos que habitam meu corpo, minh'alma, como ser tantos sendo só eu?

As vontades se revezam. Ora se guardam, ora aparecem, pálidos seres que fogem perante qualquer raio de sol...Somente para emergir em sedução e imponência numa noite qualquer de bar, na frase mais burra da conversa mais informal.

Todos os rios que me fazem desaguam num só mar. Tão inquieto, tão revolto. A ânsia por marés calmas só dura o suficiente para potencializar uma outra, multiplicando-se sem freio no querer de uma nova rajada de inquietude mal a calmaria chegou. A minha estagnação tem sazonalidade pontual, varia com as estações. Deixo para os outros viver em paz, insatisfeitos vez ou outra, nunca com força suficiente para estimular a mudança, e por isso remam conforme a direção de seus rios.

Eu não.

Eu quero ser o encontro dos desencontros. Não é do movimento que parte, não é o movimento que faz tudo ser? Mas porque a minha dança é tão confusa, quando entro em cadência, por vontade, perco o passo. Se toca samba, quero jazz e quando a voz é melosa e o saxofone soa gostoso, já me pego olhando para um ritmo caliente. Que canal, que estação, que sintonia, qual a energia que eu quero tocar?

Como exercitar todos os que me fazem mantendo o foco principal?

Não precisa mais ser agora, mas precisa ser breve. A sensação de morte iminente ao chegar na praia está domada (até quando?). Resta saber que corrente seguir, que sereia escutar, deixar ou não me deixar levar por levar? Encontrar o acalento que se anuncia mais que certo. De quem? Do que? Por hora não me interessa saber.

Quero chegar, ver no que vai dar e mudar tudo sempre. E de novo para que o novo não me deixe ao largo jamais.



terça-feira, 6 de abril de 2010

I (don´t) Love Lucy

Faz tanto tempo que não escrevo que talvez tenha esquecido como se faz. Mas não vou me forçar à produção de qualquer coisa que aspire a ser outra coisa, senão a escrita que talvez já fosse oca será vazio em tinta azul.
Ao som clichê dos jovens que, por possuírem gostos dúbios culturalmente, se julgam salvos por Chico Buarque vou tentar transpor sentir em papel.

Tem tanto tempo que me sinto perdido no nada que eu nem sei. Eu falo, reclamo, brigo comigo. E esqueço. São tantas pessoas, coisas, lugares e senso-comuns... Eu luto contra a idéia de que a vida, a minha vida, deva seguir lovingLucymente. Quero um Almodóvar, um Kubric vá lá...Mentira. Na verdade eu quero uma comédia romântica que tenha água com açucar desde a primeira letra da primeira palavra do roteiro. Pode no máximo ser do Woody, pra ter no mínimo a inteligência que no momento me foge pra pensar na minha própria história.

Estou estacionado na insatisfação. Trabalho, amigos, amor e desatenção. Preciso me evadir de tudo e ao mesmo tempo busco um novo, o inesperado e desconhecidos nos locais em que nem preciso de luz pra me ambientar.
Meu eu não sabe ser reflexivo introspectivo e eu não consigo variar escolhas mecânicas. É dilema, paradoxo, paradigma? Não.

Preciso mesmo é ser apresentado ao ser fantástico e maduro que reside dentro de mim, envolto por redomas que tento quebrar com uma mão enquanto a outra mantém a última sob seu jugo firme.

E o que será necessário para puxar o gatilho e dar um tiro na inércia? Ponho todas as fichas da minha incerteza em outra, "All In, Si Vous Plaît".
Mas não tenho medo não. Agora ao som de Caê, continuo com fome de mundo, de vida, de gente e informação, pra jogar tudo -live- no meu caos que talvez nunca se ponha em ordem.

Vou encarando tudo como meu medo de avião: quase morro do coração nas turbulências, mas apesar do suor frio nunca duvido da chegada.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Errou?

Pensava rosas, cartas, poemas.
Carinho, mimo, atenção.
Sentia carência, vazio, solidão acompanhada de terceiros.
Ganhou palavras, interesse, procura.
Ponderou futuro. Foi.
Parou.
Voltou.
Agora não consegue mais saber o que sentir, por que, pra quem, por quem. Só sabe que
Passou, perdeu, murchou.
Mas será que deveria assim ter sido?

Ainda não penso.

Eu não pensava que havia alguém sem o qual o viver seria mecânica obsoleta. Até você (aparecer e reinventar meu maquinário).

Eu quero.

A gente se deslumbra porque pode ter opinião.

A gente pode pensar, mas não quer.
A gente pode sentir, mas não se permite o livre pensar.
Eu tenho um vazio papel que eu preencho com qualquer que seja o refrão.
Eu tenho um vazio em mim pronto pra eu preencher também. Com o que?

Com dor, com amor, com sozinho, com achismo.

Eu tenho um mundo pra conter.
E esse mundo me invade sem delicadeza, me estupra com gosto.
Eu quero parar. Eu quero pensar.
Eu quero parar para pensar e parir atitude, versar opinião.
Eu quero responder aos estímulos que me impuserem com atos respaldados pela racionalidade, até onde for possível.

Obrigado, Bruna.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Noites traiçoeiras

Pegue os meus tecidos, minhas moedas e minhas jóias e queime diante de todo o povo.

Abra a porta da frente e que por ela saíam homens livres e de bem, que antes se chamavam apenas "servo", "escravo".

Solte o meu rebanho, queime meus pastos e faça ruir, pedra a pedra, todos os meus castelos.

Se indagarem insanidade, rirei doce, febril, e pedirei a tua permissão para responder que o meu único bem é inigualável a qualquer outra coisa que habite esse mundo e que cedo em lucidez ímpar tudo o que foi, é e seria meu apenas para ouvir o barulho da tua respiração tranqüila numa noite de tormenta.

Odete

1- Mas, Odete que menina linda!

2 -Filha de puta, filha de puta.

3- Odete, que menina prendada!

4- Filha de meretriz.

5- Odete, e como dança!

6- Das melhores na zona, era a mãe...

7- Sem pretendentes? Mas ora como, Odete?!

Odete- Vai ser puta, só quer ser puta.

8- Faz melhor que todas nós.