Eu escrevi tantas coisas lindas na minha cabeça. Sobre fotografias velhas, em que as imagens se esbranquecem até virar marca d'água. Metáforas que descrevessem a dubiedade de tudo, o estado de ponta de faca.
Tá tudo mais claro, tá tudo mais calmo. A sua dor omissa, a sua falta de cuidado com tudo, começando pela vida. Colecionador de cacarecos, daqueles que a gente põe na caixa e não a leva nunca para doação, deixando juntar poeira num armário de madeira.
Hoje eu vejo a força que eu dei a você. Tanta incerteza acompanhada de tanta palavra. Eu só consegui me colocar no seu lugar depois do fim. Te entendo cada vez mais e, se misturando e alternando, tenho pena, raiva, amor.
Já disse até que gostaria de não tratar, não lidar. Espero nunca conseguir ser. No meio do vendaval me pergunto sobre seus impulsos: de onde vem essa força?
quinta-feira, 2 de março de 2017
15 de fevereiro
Os dias passam de um jeito esquisito. Ora engraçados, ora depressivos.
Eu já desisti de pensar se estou em pânico, deprimido, bipolar. Ou se só sou
cagão mesmo. Eu me ressinto e ao mesmo tempo tenho uma saudade
visceral, que dói.
Cada fio que ligava a difícil decisão de transformar o nosso
amor sumiu. Eu não consigo reconectá-los para chegar à certeza que me sustentou até lá. Até aquele momento quando decidi que a gente não deveria mais conversar sobre tudo e que
seria melhor seguir.
Eu não consigo não ter rancor por você não ter me dado
direito a trocar as palavras, gestos, decisões.
Eu não consigo não imaginar que você está em todo metro que
eu entro e às vezes até quando to em outra cidade. Olhadas rápidas,
nervosas, para ver se você vai atravessar algum sinal que eu vou cruzar.
Tudo aqui é tão você. O verdadeiro e o que não era, a beleza singular e o limo nas paredes.
Tudo aqui é tão você. O verdadeiro e o que não era, a beleza singular e o limo nas paredes.
Eu me ressinto, porque você devorou meus planos. E é uma questão de Ego. Aquele sobre o qual a gente não
podia conversar, por desinteresses, repertórios diferentes e mil razões
racionais que ainda me dizem que nossas caminhos são outros. Que também dizem que deveria
ainda ser algo, respirar.
Quanto tempo eu fiquei testemunhando a não construção, a falta de sentido. Sofrendo pela sua ausência lá e cá. Por saber da sua
capacidade de esquecer - por ver que eu não fui diferente: você esqueceu! - eu virei nada.
Sofro ainda agora porque para mim você nunca vai ser nada. Não sei qual
lugar você vai ter na minha vida.
Não sei se acerto ao te fazer um julgamento tão baixo. Tem horas que não aguento pensar. Eu sei que foi uma decisão minha tentar transformar e uma decisão sua não cogitar. Eu acredito na verdade do que foi.. Falta o ultimo abraço, beijo, sexo.
Não sei se acerto ao te fazer um julgamento tão baixo. Tem horas que não aguento pensar. Eu sei que foi uma decisão minha tentar transformar e uma decisão sua não cogitar. Eu acredito na verdade do que foi.. Falta o ultimo abraço, beijo, sexo.
Caço migalhas no imaginário. Procurar Carmens em
braços no metrô, nas filas do mercado. Só pra ver como eu reagiria, como você
reagiria. Eu, que sou verborrágico, fico pensando em como você, que ama palavras
tanto quanto eu, consegue guardá-las dentro de si.
Nem uma mensagem etílica?
Nem uma mensagem etílica?
O que será que você criou, a que verdades se apega? Acho que nunca vou saber. E no entanto, acho que sempre estarei aqui.
Você vai ser sempre quem me ensinou o que é amor. Só que antes eu aprendi a me amar. Foram sentimentos que entraram em incongruência, pororoca de fluídos.
Eu preciso deixar você ir. Eu preciso que você não seja um símbolo da minha relação ainda torta com a cidade, com as pessoas. Eu preciso muito não pensar em você quando acordo e antes de dormir. Me sinto injusto comigo, com você. Até com o Universo, que me trouxe até aqui.
Porque você calou a minha voz na garganta e congelou minhas expressões em uma tela, eu escrevo. Mal, reconheço, mas escrevo mesmo assim. Eu vou escrever para você sempre. E vou querer mandar sempre, também. Talvez eu mande.
Descartável. É horrível pensar que o que vivemos foi isso; se é o que se tornou, é o que era. Por algum motivo as nossas almas se atraíram e se entrelaçaram. Por alguma razão eu sei a textura da tua pele, do peito ao orifício mais íntimo. Eu ainda sei. Devo saber para sempre.
Penso em você com mil facetas por dia. Não sei o que fazer. Dizem que com o tempo passa. Espero, rezo, peço. Mas torço para o dia que o telefone vai tocar e vai ser você. Me chamando pro café que a gente nunca tomou, para dar as risadas que a gente não deu. O dia em que nossos olhos irão se ver e r econhecer a beleza que foi, a beleza que é.
Você vai ser sempre quem me ensinou o que é amor. Só que antes eu aprendi a me amar. Foram sentimentos que entraram em incongruência, pororoca de fluídos.
Eu preciso deixar você ir. Eu preciso que você não seja um símbolo da minha relação ainda torta com a cidade, com as pessoas. Eu preciso muito não pensar em você quando acordo e antes de dormir. Me sinto injusto comigo, com você. Até com o Universo, que me trouxe até aqui.
Porque você calou a minha voz na garganta e congelou minhas expressões em uma tela, eu escrevo. Mal, reconheço, mas escrevo mesmo assim. Eu vou escrever para você sempre. E vou querer mandar sempre, também. Talvez eu mande.
Descartável. É horrível pensar que o que vivemos foi isso; se é o que se tornou, é o que era. Por algum motivo as nossas almas se atraíram e se entrelaçaram. Por alguma razão eu sei a textura da tua pele, do peito ao orifício mais íntimo. Eu ainda sei. Devo saber para sempre.
Penso em você com mil facetas por dia. Não sei o que fazer. Dizem que com o tempo passa. Espero, rezo, peço. Mas torço para o dia que o telefone vai tocar e vai ser você. Me chamando pro café que a gente nunca tomou, para dar as risadas que a gente não deu. O dia em que nossos olhos irão se ver e r econhecer a beleza que foi, a beleza que é.
Eu sou imensamente grato, eu te amo. De certo modo, te
odeio e invejo.
Quantos sentimentos você guarda em mim sem nem se interessar.
Quantos sentimentos você guarda em mim sem nem se interessar.
nós
eu não sou você
eu não sou o que você fez comigo
eu sou eu e o que fiz das suas ações na minha vida
eu não sou o que você fez comigo
eu sou eu e o que fiz das suas ações na minha vida
terça-feira, 2 de junho de 2015
Ser
Quando voltei, a vida foi num raio. A marca de sua chegada fui eu e eu continuo sendo ela.
O rio Níger se lavou em sangue e sustenta o meu corpo. Vivo e pulsante, levo na barra da saia todas as possibilidades.
Posso ser brisa, mas posso mover montanhas.
Posso, até, não fazer nada.
Posso silenciar, mas posso esbravejar.
Posso, até, não dizer nada.
Mas quando eu quiser, tenha certeza: você ouvirá.
Tempestades lavam as feridas das batalhas e um touro implacável barra dos meus caminhos todo o mal.
Iansã desnuda as minhas palhas e me mostra e beleza em mim, em você, em nós.
Oyá me levanta e assopra em mim vento e fogo. Por isso, eu sou uma transformação plural, constante e crescente.
Eparrei Oyá!
O rio Níger se lavou em sangue e sustenta o meu corpo. Vivo e pulsante, levo na barra da saia todas as possibilidades.
Posso ser brisa, mas posso mover montanhas.
Posso, até, não fazer nada.
Posso silenciar, mas posso esbravejar.
Posso, até, não dizer nada.
Mas quando eu quiser, tenha certeza: você ouvirá.
Tempestades lavam as feridas das batalhas e um touro implacável barra dos meus caminhos todo o mal.
Iansã desnuda as minhas palhas e me mostra e beleza em mim, em você, em nós.
Oyá me levanta e assopra em mim vento e fogo. Por isso, eu sou uma transformação plural, constante e crescente.
Eparrei Oyá!
terça-feira, 19 de maio de 2015
Cavaleiro de Mim
Pensando em sentimentos que não sei sentir, tento organizar peixes em virgem; enxergar o cosmos com uma lanterna.
Me perco em metáforas não-solutivas, inventando máscaras e cobrindo-as com véus.
Novamente e pela primeira vez, fico íntimo da noite.
Saboreando a embriaguez que sentimentos desencontrados trazem ao labirinto, conheço um novo lado da nossa relação.
Calma. Silenciosa. Vagarosamente amedrontadora. Me observa placidamente. E eu troco as vontades como quem troca o lixo: casual, apática e rapidamente.
Alimenta meus cálculos. Quantas horas de sono? Quantos anos e dedicação trarão o sucesso profissional almejado há três minutos? Quanto de mim é meu e quanto é imaturamente pueril, engatando respostas ditas certas sequencialmente?
Em quanto tempo isso -e eu- vai passar?
Quando as estrelas cobrem o céu, trazem com ela minhas dúvidas para seu banho de lua. Com os pés na terra, tento entender o que se passa enquanto asas se chocam milhares de pés acima. Chovem certezas, necessidades, tesões e medo. Serenam sentidos e significados cuja existência eu não imaginava.
Dentro de mim naufragam navios, balões alçam vôos. Eu me afogo enquanto pulo de árvore em árvore. Em mim, maremotos afagam vulcões incomodados. Vou à guerra com uma espada cega e os olhos vendados. Saio, aparentemente, ileso. Cheiro de carne queimada, cinzas...Gritos e súplicas agonizantes. Sou eu quem os escuta e quem os profere.
Me perco em metáforas não-solutivas, inventando máscaras e cobrindo-as com véus.
Novamente e pela primeira vez, fico íntimo da noite.
Saboreando a embriaguez que sentimentos desencontrados trazem ao labirinto, conheço um novo lado da nossa relação.
Calma. Silenciosa. Vagarosamente amedrontadora. Me observa placidamente. E eu troco as vontades como quem troca o lixo: casual, apática e rapidamente.
Alimenta meus cálculos. Quantas horas de sono? Quantos anos e dedicação trarão o sucesso profissional almejado há três minutos? Quanto de mim é meu e quanto é imaturamente pueril, engatando respostas ditas certas sequencialmente?
Em quanto tempo isso -e eu- vai passar?
Quando as estrelas cobrem o céu, trazem com ela minhas dúvidas para seu banho de lua. Com os pés na terra, tento entender o que se passa enquanto asas se chocam milhares de pés acima. Chovem certezas, necessidades, tesões e medo. Serenam sentidos e significados cuja existência eu não imaginava.
Dentro de mim naufragam navios, balões alçam vôos. Eu me afogo enquanto pulo de árvore em árvore. Em mim, maremotos afagam vulcões incomodados. Vou à guerra com uma espada cega e os olhos vendados. Saio, aparentemente, ileso. Cheiro de carne queimada, cinzas...Gritos e súplicas agonizantes. Sou eu quem os escuta e quem os profere.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Sem pensar
Felizes são as pessoas que gostam de pagode.
Os que conseguem reconhecer suas mágoas, angustias, conquistas e plenitude nas poucas palavras que cabem entre os laiá laiá e derê derê. Que, de olhinhos fechados, ora sorriem, ora escorrem lágrimas. Mas que conseguem, com facilidade, ver seus sentimentos transpostos literais em letras e melodias triviais.
As vezes, eu queria ser raso como um espelho d'água.
Mas eu e meu ego pensamos em mim como uma ópera de Vivaldi. Interpretada pela filarmônica de Berlim. Com a participação de uma cantora de ópera italiana bem gorda e com muito pó de arroz. Na regência? Ray Charles. Ou Stevie Wonder, para ser contemporâneo.
A imponência da explosão de todos os instrumentos combinados, no auge de uma virada de fase da longa história, só existe tão cheia de peso graças aos silêncios curtos. Os sentimentos que se apresentam nas mais variadas escalas e nuances só são reconhecidos porque existem em detrimento de outros, se esvaziando em opostos em uma escala igualmente rica.
Berlim, porque é adoravelmente caótica. Italiana pelo drama, gorda pelo desafio. Entre Ray ou Stevie, tanto faz. Ás vezes, pra dar jeito, só enxergando com o coração.
Ou curtindo um pagodinho bom.
Os que conseguem reconhecer suas mágoas, angustias, conquistas e plenitude nas poucas palavras que cabem entre os laiá laiá e derê derê. Que, de olhinhos fechados, ora sorriem, ora escorrem lágrimas. Mas que conseguem, com facilidade, ver seus sentimentos transpostos literais em letras e melodias triviais.
As vezes, eu queria ser raso como um espelho d'água.
Mas eu e meu ego pensamos em mim como uma ópera de Vivaldi. Interpretada pela filarmônica de Berlim. Com a participação de uma cantora de ópera italiana bem gorda e com muito pó de arroz. Na regência? Ray Charles. Ou Stevie Wonder, para ser contemporâneo.
A imponência da explosão de todos os instrumentos combinados, no auge de uma virada de fase da longa história, só existe tão cheia de peso graças aos silêncios curtos. Os sentimentos que se apresentam nas mais variadas escalas e nuances só são reconhecidos porque existem em detrimento de outros, se esvaziando em opostos em uma escala igualmente rica.
Berlim, porque é adoravelmente caótica. Italiana pelo drama, gorda pelo desafio. Entre Ray ou Stevie, tanto faz. Ás vezes, pra dar jeito, só enxergando com o coração.
Ou curtindo um pagodinho bom.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Pode entrar
Ah, pequeno...Se tamanho fosse medida, o meu gostar já tava em 96 você.
Não sei se é carência, saliência ou prudência, mas eu tenho andado com uma demência...Daquelas que abre sorrisos, mapas e portas, como criança em um campo de livro, sabe?
Você, pequeno...Você tá me preocupando. Nem foi nem aos poucos que eu posso dizer que saiu pisando em terras que eu mal conheço, entrando sem perguntar. E eu entrando junto, preocupado com o desalinho do ambiente, as marcas e objetos, como quem recebe visita e não sabe se portar...
Tentando me desprender dos "quases" que sempre foram, da antecipação frenética que me ronda, tranca e ceifa,sempre de véspera; peço desculpas se deixei alguma coisa quebrar, se servi alguma coisa estragada.
Espero que meu entendimento de que nada controla a correnteza venha a tempo. Você me deu um carinho que eu não conhecia. E como um analfabeto que aprende vogais, quero te ter em consoantes, verbos, pronomes, adjetivos...Te estudar a fundo, me conhecer, nos florecer.
FIM.
Não sei se é carência, saliência ou prudência, mas eu tenho andado com uma demência...Daquelas que abre sorrisos, mapas e portas, como criança em um campo de livro, sabe?
Você, pequeno...Você tá me preocupando. Nem foi nem aos poucos que eu posso dizer que saiu pisando em terras que eu mal conheço, entrando sem perguntar. E eu entrando junto, preocupado com o desalinho do ambiente, as marcas e objetos, como quem recebe visita e não sabe se portar...
Tentando me desprender dos "quases" que sempre foram, da antecipação frenética que me ronda, tranca e ceifa,sempre de véspera; peço desculpas se deixei alguma coisa quebrar, se servi alguma coisa estragada.
Espero que meu entendimento de que nada controla a correnteza venha a tempo. Você me deu um carinho que eu não conhecia. E como um analfabeto que aprende vogais, quero te ter em consoantes, verbos, pronomes, adjetivos...Te estudar a fundo, me conhecer, nos florecer.
FIM.
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