domingo, 21 de outubro de 2012


Por onde andará Etelvina?

A amiga divertida, dos episódios engraçados em qualquer passeio, viagem ou história de grupos. Aquela que simplesmente não pode faltar. Aquela amiga de sair todo final de semana, que está sempre na sua casa e muitas vezes conversa mais com os seus pais do que com você. Quantos momentos não compartilhamos, quantas histórias não vivemos. Muitas das quais você conta até hoje, quando toma um copo de vinho ou dois, com outros amigos, novos, crescidos, adultos. Todos temos esses amigos. Todos tivemos esses amigos.

A deles se chamava Etelvina. Por ouvir dizer, era das pessoas mais engraçadas, sempre metia os pés pelas mãos e quando ia pensar, já tinha feito - mais um bom caso para contar. Não sabem por onde ela anda. Casou-se, teve dois filhos, talvez três. Talvez more no Rio, mas certa vez alguém falou que havia se mudado. Eu me pergunto o que diabos aconteceu e porque não a conheço. Porque ela nunca foi na festinha de 2 anos, na 1ª comunhão ou nos 15 anos da minha irmã. Seria pela inexistência do facebook, do Orkut? Ou porque há menos de 20 anos atrás celulares não faziam parte do nosso dia a dia? Quem sabe os bip’s sejam os culpados, máquinas feitas para acabar com as amizades através de mensagens curtas?

O fato é que tudo que eu sempre escutei por aí acabou se provando verdadeiro com o tempo. A primeira delas sendo que o tempo explica muitas coisas. “Mãe, eu odeio ir pra escola, quero crescer logo”. Merecia um tapa! Voltaria agora, de preferência pro jardim, pra viver tudo de novo. E por aí foi. Ou melhor, vai. Mas o fato é que sempre escutamos que quando somos jovens temos muitos amigos, aos milhões, e que eles não ficam. E me deprime pensar que as pessoas com quem falo no whatsapp, instragram, facebook, telefone (tão antigo) podem não fazer mais parte da minha vida quando essas redes já forem vintages. Se é que elas serão, afinal, o futuro a Deus pertence. 

Mas e se nos revoltarmos contra isso? Imagino que seja impossível porque já hoje, do altoda jeunesse dorrée eu tenho certa preguiça de encontrar muitos dos que me são queridos todas as vezes em que teria oportunidade de o fazer. E eles também. Então eu vou vendo a formatura, o aniversário, o noivado e talvez até o casamento pelas fotos postadas, os status compartilhados...Mas será esse o início do fim? Será que estamos fadados a acompanhar de longe, até que todos cresçamos e tenhamos a “crise da limpa”, onde vamos nos excluir uns aos outros, amigos que poderiam ter sido, que se bem desejam ao longe sem o dizer e de repente não mais se importarão? Amigos que até nos farão pensar “nossa, que saudade do fulano...mas tem tanto tempo que a gente se fala, ele anda tão diferente...acho que não tem mais nada a ver mandar um recado”...Será que não? Pelo menos teremos a oportunidade.

Amigos queridos, eu desejo todos vocês na minha vida hoje e sempre. Se não desejasse já não teria necessidade de que estivessem no meu presente. Vamos aproveitar que está mais fácil pra ficar juntinhos, mesmo que longe. Quem se quer bem pode o fazer abraçando ou lembrando, pensando, sorrindo em frente a uma tela do outro lado do mundo. Saibam que o carinho, o afeto e a preocupação muitas vezes estão manifestados em um simples like, sem comentário nem nada...

Talvez se meus pais tivessem isso eles poderiam saber quantos filhos a Etelvina teve e onde ela mora. Talvez eles tivessem até abertura suficiente pra mandar uma inbox relembrando um caso antigo e marcando um chopp que nunca iria acontecer, como nós fazemos muitas vezes. Mas que pelo menos continuemos nos prometendo esse encontro encontro a possibilidade dele acontecer, por mais remota, pelo menos seja possível. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The new old same song.

Me sinto produtivo. Se sinto, sou?
Como ser externar, em papel, palavras ou atos; ser tudo e todos que habitam meu corpo, como ser tantos e só eu?

As vontades se revezam. Ora se guardam, ora aparecem, pálidos seres que fogem perante os raios de sol...Somente para emergir em sedução e imponência numa noite qualquer, na frase mais solta da conversa mais informal.

Todos os rios que me fazem desaguam no mar. Inquieto, revolto. A ânsia por marés calmas dura o suficiente para potencializar no querer de uma nova rajada de inquietude. A minha estagnação tem sazonalidade pontual, varia com as estações. Deixo para os outros viver em paz, insatisfeitos vez ou outra, nunca com força suficiente para estimular a mudança, e por isso remam conforme a direção de seus rios.

Eu não. Eu quero ser o encontro dos desencontros. Não é o movimento que faz tudo ser? Mas porque a minha dança é tão confusa, quando entro em cadência, por vontade, perco o passo. Se toca samba, quero jazz e quando a voz é melosa e o saxofone soa gostoso, quero acordes eletrônicos.

Não precisa mais ser agora, mas precisa ser breve. A sensação de morte iminente ao chegar na praia está domada (até quando?). Resta saber que corrente seguir, que sereia escutar, deixar ou não por levar? Encontrar o acalento que se anuncia mais que certo. De quem? Do que? Por hora não me interessa saber.

Quero chegar, ver no que vai dar e mudar tudo sempre. E de novo para que o novo não me deixe ao largo jamais.



terça-feira, 6 de abril de 2010

I (don´t) Love Lucy

Faz tanto tempo que não escrevo que talvez tenha esquecido como se faz. Mas não vou me forçar à produção de qualquer coisa que aspire a ser outra coisa, senão a escrita que talvez já fosse oca será vazio em tinta azul.
Ao som clichê dos jovens que, por possuírem gostos dúbios culturalmente, se julgam salvos por Chico Buarque vou tentar transpor sentir em papel.

Tem tanto tempo que me sinto perdido no nada que eu nem sei. Eu falo, reclamo, brigo comigo. E esqueço. São tantas pessoas, coisas, lugares e senso-comuns... Eu luto contra a idéia de que a vida, a minha vida, deva seguir lovingLucymente. Quero um Almodóvar, um Kubric vá lá...Mentira. Na verdade eu quero uma comédia romântica que tenha água com açucar desde a primeira letra da primeira palavra do roteiro. Pode no máximo ser do Woody, pra ter no mínimo a inteligência que no momento me foge pra pensar na minha própria história.

Estou estacionado na insatisfação. Trabalho, amigos, amor e desatenção. Preciso me evadir de tudo e ao mesmo tempo busco um novo, o inesperado e desconhecidos nos locais em que nem preciso de luz pra me ambientar.
Meu eu não sabe ser reflexivo introspectivo e eu não consigo variar escolhas mecânicas. É dilema, paradoxo, paradigma? Não.

Preciso mesmo é ser apresentado ao ser fantástico e maduro que reside dentro de mim, envolto por redomas que tento quebrar com uma mão enquanto a outra mantém a última sob seu jugo firme.

E o que será necessário para puxar o gatilho e dar um tiro na inércia? Ponho todas as fichas da minha incerteza em outra, "All In, Si Vous Plaît".
Mas não tenho medo não. Agora ao som de Caê, continuo com fome de mundo, de vida, de gente e informação, pra jogar tudo -live- no meu caos que talvez nunca se ponha em ordem.

Vou encarando tudo como meu medo de avião: quase morro do coração nas turbulências, mas apesar do suor frio nunca duvido da chegada.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Errou?

Pensava rosas, cartas, poemas.
Carinho, mimo, atenção.
Sentia carência, vazio, solidão acompanhada de terceiros.
Ganhou palavras, interesse, procura.
Ponderou futuro. Foi.
Parou.
Voltou.
Agora não consegue mais saber o que sentir, por que, pra quem, por quem. Só sabe que
Passou, perdeu, murchou.
Mas será que deveria assim ter sido?

Ainda não penso.

Eu não pensava que havia alguém sem o qual o viver seria mecânica obsoleta. Até você (aparecer e reinventar meu maquinário).

Eu quero.

A gente se deslumbra porque pode ter opinião.

A gente pode pensar, mas não quer.
A gente pode sentir, mas não se permite o livre pensar.
Eu tenho um vazio papel que eu preencho com qualquer que seja o refrão.
Eu tenho um vazio em mim pronto pra eu preencher também. Com o que?

Com dor, com amor, com sozinho, com achismo.

Eu tenho um mundo pra conter.
E esse mundo me invade sem delicadeza, me estupra com gosto.
Eu quero parar. Eu quero pensar.
Eu quero parar para pensar e parir atitude, versar opinião.
Eu quero responder aos estímulos que me impuserem com atos respaldados pela racionalidade, até onde for possível.

Obrigado, Bruna.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Noites traiçoeiras

Pegue os meus tecidos, minhas moedas e minhas jóias e queime diante de todo o povo.

Abra a porta da frente e que por ela saíam homens livres e de bem, que antes se chamavam apenas "servo", "escravo".

Solte o meu rebanho, queime meus pastos e faça ruir, pedra a pedra, todos os meus castelos.

Se indagarem insanidade, rirei doce, febril, e pedirei a tua permissão para responder que o meu único bem é inigualável a qualquer outra coisa que habite esse mundo e que cedo em lucidez ímpar tudo o que foi, é e seria meu apenas para ouvir o barulho da tua respiração tranqüila numa noite de tormenta.