Ah, pequeno...Se tamanho fosse medida, o meu gostar já tava em 96 você.
Não sei se é carência, saliência ou prudência, mas eu tenho andado com uma demência...Daquelas que abre sorrisos, mapas e portas, como criança em um campo de livro, sabe?
Você, pequeno...Você tá me preocupando. Nem foi nem aos poucos que eu posso dizer que saiu pisando em terras que eu mal conheço, entrando sem perguntar. E eu entrando junto, preocupado com o desalinho do ambiente, as marcas e objetos, como quem recebe visita e não sabe se portar...
Tentando me desprender dos "quases" que sempre foram, da antecipação frenética que me ronda, tranca e ceifa,sempre de véspera; peço desculpas se deixei alguma coisa quebrar, se servi alguma coisa estragada.
Espero que meu entendimento de que nada controla a correnteza venha a tempo. Você me deu um carinho que eu não conhecia. E como um analfabeto que aprende vogais, quero te ter em consoantes, verbos, pronomes, adjetivos...Te estudar a fundo, me conhecer, nos florecer.
FIM.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
Biológica do não-orgulho
Eu queria ser um micróbio, bem pequenininho para invadir sua cabeça e comer as dobrinhas do seu cérebro. Até que ele anunciasse a todos, orgãos, músculos e fibras, que a partir de agora o seu coração bombeará o meu nome. E no teu sangue, te rodar mais de cem vezes em um minuto.
Queria ser uma doença-remédio. Te virar do avesso, repetidamente, provando de novo, de novo e de novo.
Cada vez com mais
(ou menos?)
(ar)(dor).
Queria que seu peito queimasse até dilacerar e que só eu, com mãos desprotegidas, pudesse juntar tudo, te costurando com saliva.
Ser o frio na sua espinha que nunca cessa. Acalma com a chegada, se reinventa com toque, mas como lava, adormece sempre pronto para explodir.
Com e em você, um só instinto, pelos, cuspe, ânsia, pele, raiva, insônia e gozo.
Queria ser uma doença-remédio. Te virar do avesso, repetidamente, provando de novo, de novo e de novo.
Cada vez com mais
(ou menos?)
(ar)(dor).
Queria que seu peito queimasse até dilacerar e que só eu, com mãos desprotegidas, pudesse juntar tudo, te costurando com saliva.
Ser o frio na sua espinha que nunca cessa. Acalma com a chegada, se reinventa com toque, mas como lava, adormece sempre pronto para explodir.
Com e em você, um só instinto, pelos, cuspe, ânsia, pele, raiva, insônia e gozo.
domingo, 5 de janeiro de 2014
A
Lua Minguante e Crescente
Olhei pro céu e vi que como tudo, mudava também a lua. Até hoje não sei como funciona a cheia das
marés que regem seu ciclos, muito menos como identificar a tênue forma que separa a minguante da
crescente. Naquele momento um pensamento me ocorreu e me dirigi à ela, não essa
de fases que me confundia, mas aquela que divide com o sol a árdua tarefa de ser mensageira do tempo e é peça fundamental no nosso mapa astral (dizem).
Pedi que, se crescente fosse, que
fizesse brotar, crescer e florear caminhos. Que fizesse crescer amizades sinceros, divertidas, parceiras. Que fizesse crescer a sorte, que nuncatemos em demasia (a não ser que você tenha ganhado na megasena - aí você pode sair dessa fila). Que expandisse o foco, que aliado a
uma determinação crescente, há de atrair o sucesso contínuo.
Se fosse minguante, que minguasse
as autocríticas, o cinismo e a falsidade. Entre mim e o espelho, e também entre os outros. Que tirasse as forças da caretice, da vontade de controlar a vida (novamente a minha e a dos outros), o
preconceito, a miséria, a falta de compaixão e de qualquer coisa em que acreditar.
Combinando essas luas que eu ao
mesmo tempo considerei e ignorei, apenas por acreditar em um sentido outro,
lembrei de uma prece para encerrar a conversa:
Amor, perdão, união, fé, verdade, esperança,
alegria e luz apenas sendo. E não adquirindo sentido pelo contraste do ódio, ofensa, discórdia, dúvida erro, desespero, tristeza e trevas.
Feliz ano.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Vermelho
Ela passou as mãos gentilmente pelas têmporas cansadas e dominadas por rugas. Sabia que aquelas marcas eram precoces e de sua responsabilidade.
Deu-lhe um beijo na testa e saiu.
Não olhou para trás.
Levava uma bolsa arrumada como a decisão, às pressas.
A vontade era voar dali pela janela.
Não poderia assistir ao lento definhar do seu último
resquício de razão, da sua salvação de sempre. Não poderia ver a parte sã de si,
mesmo que externa, agonizar até o levantar do dia, quando certamente já não
agonizaria mais.
Precisava de uma dose. Onde?
Lembrou-se dos velhos amigos e ao fazer lembrou-se do quem deixou para trás. Lembrava-se de como a criara, cheiro de mato; amoras
frescas. De como a tirara anos depois de um mundo torpe, fantasioso e lutado com e
por ela. Passou a mão em sua cabeça e lhe garantiu que tudo ficaria bem. E
havia mesmo ficado, até hoje. Por que logo hoje?
Sentiu-se covarde. Uma culpa dilacerante bombeou suas
veias e o medo de ser tarde demais tomou conta de suas pernas que se voltaram e
correram, sem reparar no amontoado de ferro vermelho que se aproximava.
O vermelho se fundiu e escorreu no asfalto, molhando até o
meio fio. Culpa, remorso, dor, paz...e nada.
Enquanto o sangue dançava livremente pela rua, a vida se despedia do
velho sozinho na sala do apartamento. Morreram juntos e sozinhos.
Iriam se encontrar? Ele a tomaria
novamente no colo e diria com a voz rouca e o cheiro de tabaco que estava tudo bem?
O vermelho invadiu a rua, encharcou o corpo e a memória dos
passantes. Subiu ao céu travestido de entardecer e brilha forte até
hoje, quando noite, na forma prata mais vívida. Mas nós sabemos, é vermelho.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Ufa
Um segundo. É a fagulha que muda tudo, o escrito e o fora do script. Chuva. Curva. Puft, o carro foi no poste. Em um segundo não haveria mais segundos.
Só posts no facebook que nunca seria lidos. Nunca entendi por que as pessoas fazem isso.
Só posts no facebook que nunca seria lidos. Nunca entendi por que as pessoas fazem isso.
domingo, 21 de outubro de 2012
Por onde andará Etelvina?
A amiga divertida, dos episódios engraçados em qualquer passeio, viagem ou história de grupos. Aquela que simplesmente não pode faltar. Aquela amiga de
sair todo final de semana, que está sempre na sua casa e muitas vezes
conversa mais com os seus pais do que com você. Quantos momentos não
compartilhamos, quantas histórias não vivemos. Muitas das quais você conta até
hoje, quando toma um copo de vinho ou dois, com outros amigos, novos,
crescidos, adultos. Todos temos esses amigos. Todos tivemos esses
amigos.
A deles se chamava Etelvina. Por ouvir dizer, era
das pessoas mais engraçadas, sempre metia os pés pelas mãos e quando ia pensar, já tinha feito - mais um bom caso para contar. Não sabem por onde ela anda. Casou-se, teve dois filhos, talvez três.
Talvez more no Rio, mas certa vez alguém falou que havia se mudado.
Eu me pergunto o que diabos aconteceu e porque não a conheço. Porque
ela nunca foi na festinha de 2 anos, na 1ª comunhão ou nos 15 anos da
minha irmã. Seria pela inexistência do facebook, do Orkut? Ou porque há
menos de 20 anos atrás celulares não faziam parte do nosso dia a dia? Quem
sabe os bip’s sejam os culpados, máquinas feitas para acabar com as amizades através de mensagens curtas?
O fato é que tudo que eu sempre escutei por aí acabou se provando
verdadeiro com o tempo. A primeira delas sendo que o tempo explica muitas coisas. “Mãe, eu odeio ir pra escola, quero crescer logo”. Merecia um tapa! Voltaria agora, de preferência pro jardim, pra viver tudo
de novo. E por aí foi. Ou melhor, vai. Mas o fato é que sempre escutamos que
quando somos jovens temos muitos amigos, aos milhões, e que eles não ficam. E
me deprime pensar que as pessoas com quem falo no whatsapp, instragram, facebook,
telefone (tão antigo) podem não fazer mais parte da minha vida quando essas redes já
forem vintages. Se é que elas serão, afinal, o futuro a Deus pertence.
Mas e se nos revoltarmos contra isso? Imagino que seja impossível porque já
hoje, do altoda jeunesse dorrée eu tenho certa preguiça de encontrar muitos dos
que me são queridos todas as vezes em que teria oportunidade de o fazer. E eles
também. Então eu vou vendo a formatura, o aniversário, o noivado e talvez até o
casamento pelas fotos postadas, os status compartilhados...Mas será esse o
início do fim? Será que estamos fadados a acompanhar de longe, até que todos
cresçamos e tenhamos a “crise da limpa”, onde vamos nos excluir uns aos outros,
amigos que poderiam ter sido, que se bem desejam ao longe sem o dizer e de repente
não mais se importarão? Amigos que até nos farão pensar “nossa, que saudade do
fulano...mas tem tanto tempo que a gente se fala, ele anda tão diferente...acho
que não tem mais nada a ver mandar um recado”...Será que não? Pelo menos teremos
a oportunidade.
Amigos queridos, eu desejo todos vocês na minha vida hoje e
sempre. Se não desejasse já não teria necessidade de que estivessem no meu presente. Vamos
aproveitar que está mais fácil pra ficar juntinhos, mesmo que longe. Quem se quer bem pode o fazer abraçando ou lembrando, pensando, sorrindo em frente a uma tela do outro lado do mundo. Saibam que
o carinho, o afeto e a preocupação muitas vezes estão manifestados em um simples like, sem comentário nem nada...
Talvez se meus pais tivessem isso eles poderiam saber
quantos filhos a Etelvina teve e onde ela mora. Talvez eles tivessem até
abertura suficiente pra mandar uma inbox relembrando um caso antigo e marcando
um chopp que nunca iria acontecer, como nós fazemos muitas vezes. Mas que pelo
menos continuemos nos prometendo esse encontro encontro a possibilidade dele acontecer, por mais remota, pelo menos seja possível.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
The new old same song.
Me sinto produtivo. Se sinto, sou?
Como ser externar, em papel, palavras ou atos; ser tudo e todos que habitam meu corpo, como ser tantos e só eu?
Como ser externar, em papel, palavras ou atos; ser tudo e todos que habitam meu corpo, como ser tantos e só eu?
As vontades se revezam. Ora se guardam, ora aparecem, pálidos seres que fogem perante os raios de sol...Somente para emergir em sedução e imponência numa noite qualquer, na frase mais solta da conversa mais informal.
Todos os rios que me fazem desaguam no mar. Inquieto, revolto. A ânsia por marés calmas dura o suficiente para potencializar no querer de uma nova rajada de inquietude. A minha estagnação tem sazonalidade pontual, varia com as estações. Deixo para os outros viver em paz, insatisfeitos vez ou outra, nunca com força suficiente para estimular a mudança, e por isso remam conforme a direção de seus rios.
Eu não. Eu quero ser o encontro dos desencontros. Não é o movimento que faz tudo ser? Mas porque a minha dança é tão confusa, quando entro em cadência, por vontade, perco o passo. Se toca samba, quero jazz e quando a voz é melosa e o saxofone soa gostoso, quero acordes eletrônicos.
Não precisa mais ser agora, mas precisa ser breve. A sensação de morte iminente ao chegar na praia está domada (até quando?). Resta saber que corrente seguir, que sereia escutar, deixar ou não por levar? Encontrar o acalento que se anuncia mais que certo. De quem? Do que? Por hora não me interessa saber.
Quero chegar, ver no que vai dar e mudar tudo sempre. E de novo para que o novo não me deixe ao largo jamais.
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